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PorEquipe Adocao Brasil Publicado jan 16, 2018

Porque não comigo

Por: Andresa Gregori

Nesse tempo de luto desde quando descobrimos que não poderíamos gerar um filho, muitas vezes devemos ter nos perguntado:

Por que isso meu Deus?

Por que conosco?

Temos tanto amor para dar a uma criança, tem tantas crianças passando necessidades sem ter o básico e nós não podemos…Mas eu sempre pensei diferente…isso acontece com muitas pessoas e por que não conosco?

Nós pretendentes e pais por adoção jamais seremos pais por acidente ou por descuido, como muitos pais biológicos contam. Podemos descuidar muito que isso não irá acontecer.

Nós desejamos muito ser pais, ter filhos, completar nossa família…muitos pais biológicos não planejaram ter filhos e esses muitas das vezes chegam cedo demais sem ter preparo ou estrutura para receber um filho. Muitos destes nem se quer compreendem a grande dádiva divina que é receber de nosso pai maior essa vida, a qual, se tornam responsáveis.

Diferentes de pais por adoção que amam sem conhecer, se preparam para a chegada tão sonhada, sofrem com a dor da espera sem saber o fim…é uma gestação e, como tal, há momentos de fraqueza, de tristeza, de dúvida mas, também, momentos de muita alegria.

No caso da gestação do coração é toda uma espera por entrevistas, pelos passos do processo de habilitação que depende de terceiros e, em alguns casos é muito demorado até sair o sonhado positivo ou estão habilitados e no CNA.

E sabemos que esse positivo na gestação do coração não nos dá o prazo para essa gestação acabar como na gestação biológica…vai depender do perfil escolhido e, a espera pelas contrações e pelo momento da bolsa estourar ou o telefone tocar pode ser mais ou menos longo. Mas, “Deus não demora Ele capricha”.

Temos que ser perseverantes e ter muita fé para crer que Deus não entrega filhos trocados e que Ele está preparando nós e nossos filhos para esse reencontro de almas.

Creio que nossos filhos já estão nesse plano e que tem uma vida, um passado, uma história com certeza de dor e que merece ser respeitada…é muito duro ter que ser forte para suportar as dores da negligência, do abandono e muitas vezes de maus tratos e ter que ser forte para vencer isso tudo nos seu primeiros anos de vida.

Esses filhos já são vencedores por suportar o que muitos de nós não suportaríamos e, mesmo sofrendo com tudo isso a ruptura do laço com a família biológica é dolorosa pois, é a única família que conhecem…é muito sofrimento.

Só posso pensar que o amor e o respeito pela vida e história de nossos filhos podem curar as feridas e fazer eles acreditarem que são merecedores e dignos de ter uma família que os ama incondicionalmente e, que jamais irá abandoná-los aconteça o que acontecer.

Peço sempre a Deus que os cuide de nossos filhos onde quer que estejam, que permita que esse reencontro chegue logo, que estejam protegidos de todo o mal e que quando esse momento chegar nós saibamos fazer as melhores escolhas na criação deles, passando pra eles acima de tudo os valores necessários para que superem toda dor e se tornem pessoas de bem, que possamos ser o melhor exemplo para nossas crianças.

Amamos vocês mesmo sem conhecê-los e não vemos a hora de estarmos juntos para sempre!

PorEquipe Adocao Brasil Publicado jan 9, 2018

Rejeição na adoção

adotar é um caminho a ser percorrido que envolve muitos anseios, expectativas e se espera que aquela criança ou adolescente venha para a nova família totalmente preparada e aberta para ocupar o lugar de filho, mas pode ser que isso não aconteça tão rapidamente.

Principalmente quando houve vivências muito traumáticas de abandono, negligência e rejeição, a adaptação leva tempo e exige paciência e persistência por parte dos pais para lidar com os comportamentos “testes”.

Dependendo de como se dá essa relação, as crises de convivência pode ser tanto da parte do adotante quando do adotado.

Se os pais não conseguirem assimilar a criança, colocando-a na condição imaginária de filho, ela poderá ser sempre vista como coisa que não pertence a eles e que, por isso, pode ser rejeitada.

E também o contrário, quando a criança inconscientemente alimenta a fantasia de abandono e rejeição dos genitores e isso a faz sentir que pode não ser digna de receber afeto e dificultar o vínculo.

Rejeitar é não reconhecer, recusar o Outro, portanto diante de um sentimento tão forte como esse, é preciso refletir se ao decidir pela adoção, está depositando nesse “outro” altas expectativas as quais ele tem a obrigação de suprir.

Todo filho passa pelo processo de ser adotado, porque a filiação acontece gradativamente, não é automática.

Mas é preciso o mínimo de condição psíquica que permita isso já que filhos testam o amor dos pais em busca de confiança e assumir essa tarefa árdua requer energia e investimento afetivo constante.

Equipe Adoção em Pauta.
Atendimentos clínicos e Plantões psicológicos especializados em Adoção.

Com carinho,
Tatiany Schiavinato. 
Psicóloga.CRP 06/131048
www.adocaoempauta.com.br

PorEquipe Adocao Brasil Publicado jan 8, 2018

Dar à luz

Na participação de Bráulio Bessa no programa Encontro com Fátima Bernardes do dia 16/06/2017 todos se emocionaram com o cordel que ele fez sobre adoção.

Dar à luz

Dar à luz a uma criança / é iluminar os seus dias

dividir suas tristezas / somar suas alegrias

é ser o próprio calor / naquelas noites mais frias

Dar à luz é estar perto / é sempre chegar primeiro

é ter o amor mais puro, mais honesto e verdadeiro

amar do primeiro olhar / até o olhar derradeiro

Dar à luz é se estressar / é não conseguir dormir

é ser quase odiado por dizer, não vai sair

Dar à luz é liberar, mas também é proibir

Dar à luz é ser herói com papel de vilão

é saber regrar o sim e nunca poupar o não

não é traçar o caminho é mostrar a direção

Dar à luz é ser presente nos momentos mais cruéis

é ensinar que os dedos valem mais do que os anéis

é mostrar que um só lar, vale mais que mil hotéis

Dar às luz é se doar é caminhar lado a lado

é a missão de cuidar, de amar e ser amado

é ser grato por um dia, também ter sido cuidado

é conhecer o amor maior que se pode amar

é a escola da vida que insiste em ensinar

que pra dar à luz a um filho não é preciso gerar

é entender que neste caso o sangue é indiferente

dúvido o DNA dizer o que a gente sente

é gerar alguém na alma e não biologicamente

pois não tem biologia e nem lógica

para explicar o amor de pai e mãe

não se resume em gerar

quem gera nem sempre cuida, mas quem ama vai cuidar

vai cuidar independente da cor que a pele tem,

da genética, do sangue

o amor vai mais além

o amor tem tanto brilho

que quem adota um filho

é adotado também!

Fonte: Encontro com Fátima Bernardes

PorEquipe Adocao Brasil Publicado jan 4, 2018

E assim foi, para a vida inteira!

E você, gostaria de compartilhar sua história conosco?

É bem simples! Basta enviar sua história para nosso WhatsApp (11) 96479-4705 (texto, vídeo ou áudio). Contamos com sua ajuda 🙂

Por: Detinha

Fui adotada aos 8 meses e hoje meus pais já são falecidos.

O que eu quero falar é sobre como contar para a criança que ela é adotada.

Minha mãe era analfabeta e foi muito simples a maneira como ela me contou.

Eu na verdade tinha uns 4 anos, mas percebia que era diferente do resto da família.

Um dia minha mãe me chamou cedinho para “conversar”.

O que ela disse eu nunca esqueci. Foi assim:

– O que eu vou te falar hoje, por mim eu não falaria nunca, porque não tem a menor importância, mas todos dizem que eu tenho que falar, e também para que, um dia, se você descobrir, não dizer que eu te enganei. Você não nasceu da minha barriga, mas sim da barriga de outra pessoa, mas você é minha filha.

Me lembro que eu quis chorar e ela disse:

– Por que você vai chorar?

E eu disse:

– Eu queria ser sua filha de verdade

Ela disse:

– Você é minha filha de verdade, e se algum dia, alguém te disser que não é, você manda vir falar comigo! E se esse assunto te deixou triste, nós nunca mais precisamos tocar nele!

E assim foi, para a vida inteira!

PorEquipe Adocao Brasil Publicado dez 27, 2017

A importância do imaginário infantil na primeira infância

Por: Fernanda Machado

O desenvolvimento cognitivo, que começa antes mesmo do nascimento prossegue durante a época das brincadeiras. Corriqueiramente chamado de período “pré-escolar”, a fase da creche, é uma época mágica e cheia de fantasias, em que a criança passa por um importante processo de aprendizagem, é um estágio que mais apropriadamente devemos chamar de “primeira infância” e que sem dúvida tem um “projeto” de desenvolvimento bastante próprio.

Um dos prazeres de observar crianças é ouvir a compreensão fantasiosa e subjetiva que elas têm de sua própria vida. Elas nos divertem com seu pensamento imaginativo e mesmo mágico, quando conversam com o amiguinho invisível, ou quando ficam conjecturando onde o sol dorme, ou quando afirmam com segurança que elas dormem de olhos abertos. Ao mesmo tempo, nos surpreendem quando se confundem com metáforas (como “mamãe está presa no trabalho” ou “o motor do carro morreu”) e quando se mostram ilógicas quanto a ocorrências corriqueiras (por exemplo, acreditando que a lua as seguem quando andam à noite). Aos 3 anos, elas acreditam que os desejos geralmente se concretizam e que os adultos, as crianças e provavelmente os gatos e os cachorros (mas não os bebês) podem formular desejos se (assim) quiserem (Woolley et al., 1999). Evidentemente, o pensamento é guiado pelas fantasias e imaginário infantil.

Quando, pelo senso comum, falamos em “fases de vida” estamos propriamente preestabelecendo estágios, momentos em que devemos vivenciar determinadas experiências mais ou menos parecidas de acordo com determinado período do desenvolvimento. É certo que cada pessoa terá uma experiência particular, de acordo com a cultura e o meio social em que vive, entretanto, o período de maturação cerebral deve acontece mais ou menos nas mesmas épocas para todos os seres humanos, o que explicará, por exemplo, o motivo pelo qual a primeira infância, a fase escolar, a adolescência, a fase adulta e a velhice possuem características muito particulares e específicas. Hoje nos atentaremos à primeira infância.

Sabemos que o processo de mielinização, envoltório da bainha de mielina nos axônios, já acontece durante o período pré-natal, o nosso cérebro já começa a ser preparado para fazer importantes conexões, e assim nos preparar para o mundo pós natal, que requer o mínimo de instinto de sobrevivência. É importante entendermos esse conceito, pois é pelo processo de maturação cerebral que poderemos entender melhor o porque determinados comportamentos acontecem em algumas fases e outros não.

Aos 2 anos de idade a criança já tem um cérebro em peso e tamanho muito próximos ao de um adulto, o que poderia supor que esse cérebro faria as mesmas conexões que um cérebro maduro, entretanto essa suposição não é verdadeira, pois o cérebro humano, de acordo com pesquisas recentes, apesar de iniciar seu processo de maturação lá no período pré-natal só chegará a termo por volta dos 20 e poucos anos de idade, ou seja, não é apenas fundamental que tenhamos um cérebro, mas que tenhamos um cérebro que mature e proporcione conexões eficazes, capaz de criar uma orquestra em sintonia que comande nossos comportamentos, emoções e sentidos de forma funcional. Daí a importância da estimulação e dos marcos de cada estágio do desenvolvimento.

Quando falamos em imaginário infantil, amigo invisível, papai Noel, coelhinho da páscoa entre tantos outros símbolos, estamos nos referindo a um período em que o cérebro está fazendo muitas conexões (sinapses), e precisa de estimulação externa (do meio) para continuar trabalhando, e assim, em algum momento do desenvolvimento começar a fazer suas podas neurais (eliminação de neurônios que não estão sendo utilizados) e fortalecer sinapses (a grosso modo, conexões neuronais) necessárias para ultrapassar um estágio.

Depois de entendermos que, necessariamente, precisamos de conexões cerebrais que sejam funcionais e nos permitam estabelecer o elo com o mundo a partir de comportamentos e emoções, fica fácil associarmos o porque o imaginário infantil é tão importante para a criança na primeira infância, pois é esse imaginário permeado de símbolos e fantasias que permitirá aos pequenos a lidar com uma “fase” que é tão diferente da do adulto. O cérebro deles, devido a falta de maturação para a idade, que é esperado, não pode agir e dispor de racionalidades como o nosso, por isso “lançam mão” de ferramentas pertinentes ao que eles podem lidar, de acordo com idade cronológica e maturação cerebral. Quanto mais imaginação e fantasia a criança criar mais sua criatividade, abstração e flexibilidade cognitiva estarão aptos a ingressar no estágio posterior.

Quando damos asas ao papai Noel e ao coelho da páscoa estamos estimulando um cérebro a pensar, ciar e inibir imagens, acrescentar conteúdos de seu cotidiano a novos temas, ou seja, estimulação da aprendizagem, linguagem, percepção entre tantas outras funções, pois não se resume apenas em um papai Noel ou coelho da páscoa, mas sim em um contexto histórico que é importante os pais apresentarem, que faz parte de uma cultura e durante muito tempo eles se sentirão motivados a escreverem (mais uma habilidade a aprender) cartas e a encontrarem ovos espalhados pela casa (brincadeira que envolve imaginação, coordenação e raciocínio lógico), portanto a concretude que nos leva a pensar em seres totalmente inocentes não pode fazer parte desse momento da infância, aliás ela é bastante prejudicial. E quando chegar o momento de “descobrir” que papai Noel e coelho nunca existiram será o momento de entender que nem tudo é perfeito e que a partir dali deverão aprender a lidar com frustações, o que é muito saudável.

Quando damos um lego para uma criança montar devemos observar o quão criativa aquela criança está sendo, o que ela está criando, pois suas montagens refletem seu dia a dia, mais que isso, sua montagem reflete seu imaginário, uma criança com um cérebro em franco desenvolvimento, fazendo milhares de conexões precisa ter ideias “mirabolantes”, precisa criar, criar e criar, todas as crianças com um desenvolvimento neurotípico (que não apresenta distúrbios significativos no funcionamento psíquico) têm potencial para isso, entretanto se não forem estimuladas por seus cuidadores infelizmente essa imaginação ficará pobre, o que subentende-se um cérebro trabalhando menos e um cérebro trabalhando menos subtende-se desuso, ou seja, funções importantes podem deixar de ser desenvolvidas.

Portanto, uma criança que brinca é uma criança que cria e uma criança que cria é um ser humano desenvolvendo um potencial diverso em um estágio de desenvolvimento que deixará consequências para estágios posteriores. É importante lembrar aos cuidadores (aqueles que cuidam e criam) que brincar não significa deixar o filho na frente de um tablet horas a fio, deixar o filho na frente da tv nas horas vagas, comprar um lego que venha com sugestões de montagens, “abarrotar” a casa de brinquedos que não estimulam coordenação motora e principalmente não estimulam a imaginação e a criação própria, não existe nada mais promissor e saudável para uma criança do que ela própria fazer sua boneca de pano ou inventar seu carrinho com a caixa de papelão.

Fernanda Machado CRP 06/121510
Psicóloga em terapia cognitivo comportamental com formação em transtornos psiquiátricos e neuropsicologia.
www.fernandamachado.psc.br