Adoção mais rápida

O Jornal Hoje traz uma notícia que pode mudar a vida de milhares de brasileirinhos em abrigos de todo o país: foi criado o Cadastro Nacional de Adoção. O sistema vai identificar crianças e adolescentes sem amparo familiar e facilitar a localização de pais adotivos em qualquer cidade do Brasil.

Marcelo e Raquel Cruvinel já tinham Luísa quando decidiram adotar uma criança. A espera já dura quase dois anos – deu até tempo de nascer Letícia, a segunda filha do casal. A única exigência que eles fizeram foi a idade: pode ser menino ou menina, mas com, no máximo, 1 ano.

“É como se fosse uma gestação, só que o prazo é três vezes maior, né? Demora”, compara o servidor público Marcelo Cruvinel. “Para coração de mãe, é muito burocrático. Tem mais de 160 famílias na nossa frente”, conta Raquel, também servidora pública.

Em fevereiro, na série de reportagens “Filhos do Coração”, o Jornal Hoje mostrou que 80 mil crianças vivem em abrigos no país, e que ninguém sabe sequer os nomes dos pais biológicos de metade delas. A demora nos processos acaba inviabilizando a adoção.

“As crianças recém-nascidas são as que as pessoas mais querem adotar, mas essa não é a realidade dos abrigos hoje”, diz a pedagoga Patrícia Braga. As crianças vão para os abrigos porque cresceram e já não se encaixam no perfil que procura a maioria das famílias que pretende adotar.

Com o novo cadastro, aumentam as chances de meninos e meninas já crescidos encontrarem um lar. A coordenadora do Cadastro Nacional de Adoção explica que, até julho, um banco de dados vai ser implantado em todas as Varas da Infância. Os juízes vão poder cruzar, em tempo real, as informações das famílias que querem adotar com os dados das crianças que estão em abrigos no país inteiro. “Vai ser possível que um casal ou um pretendente do Maranhão, por exemplo, adote uma criança do Rio Grande do Sul, se a criança preencher o perfil desejado pelo requerente”, diz a juíza Andréa Pachá.

A novidade encheu Raquel de esperança. “Estou com muita fé de que esse nenê vai chegar mais rápido. Vou esperar. Não sei de onde ele vem, mas ele vai vir mais rápido”, espera a mãe.

 

 Matéria exibida em 29/04/2008 e retirada do site Jornal Hoje da Rede Globo.

 Para ver a matéria no site do Jornal Hoje visite:
 http://jornalhoje.globo.com/JHoje/0,19125,VJS0-3076-20080429-321001,00.html

 

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