Arquivo de categoria Histórias de Adoção

PorEquipe Adocao Brasil

Porque não comigo

Por: Andresa Gregori

Nesse tempo de luto desde quando descobrimos que não poderíamos gerar um filho, muitas vezes devemos ter nos perguntado:

Por que isso meu Deus?

Por que conosco?

Temos tanto amor para dar a uma criança, tem tantas crianças passando necessidades sem ter o básico e nós não podemos…Mas eu sempre pensei diferente…isso acontece com muitas pessoas e por que não conosco?

Nós pretendentes e pais por adoção jamais seremos pais por acidente ou por descuido, como muitos pais biológicos contam. Podemos descuidar muito que isso não irá acontecer.

Nós desejamos muito ser pais, ter filhos, completar nossa família…muitos pais biológicos não planejaram ter filhos e esses muitas das vezes chegam cedo demais sem ter preparo ou estrutura para receber um filho. Muitos destes nem se quer compreendem a grande dádiva divina que é receber de nosso pai maior essa vida, a qual, se tornam responsáveis.

Diferentes de pais por adoção que amam sem conhecer, se preparam para a chegada tão sonhada, sofrem com a dor da espera sem saber o fim…é uma gestação e, como tal, há momentos de fraqueza, de tristeza, de dúvida mas, também, momentos de muita alegria.

No caso da gestação do coração é toda uma espera por entrevistas, pelos passos do processo de habilitação que depende de terceiros e, em alguns casos é muito demorado até sair o sonhado positivo ou estão habilitados e no CNA.

E sabemos que esse positivo na gestação do coração não nos dá o prazo para essa gestação acabar como na gestação biológica…vai depender do perfil escolhido e, a espera pelas contrações e pelo momento da bolsa estourar ou o telefone tocar pode ser mais ou menos longo. Mas, “Deus não demora Ele capricha”.

Temos que ser perseverantes e ter muita fé para crer que Deus não entrega filhos trocados e que Ele está preparando nós e nossos filhos para esse reencontro de almas.

Creio que nossos filhos já estão nesse plano e que tem uma vida, um passado, uma história com certeza de dor e que merece ser respeitada…é muito duro ter que ser forte para suportar as dores da negligência, do abandono e muitas vezes de maus tratos e ter que ser forte para vencer isso tudo nos seu primeiros anos de vida.

Esses filhos já são vencedores por suportar o que muitos de nós não suportaríamos e, mesmo sofrendo com tudo isso a ruptura do laço com a família biológica é dolorosa pois, é a única família que conhecem…é muito sofrimento.

Só posso pensar que o amor e o respeito pela vida e história de nossos filhos podem curar as feridas e fazer eles acreditarem que são merecedores e dignos de ter uma família que os ama incondicionalmente e, que jamais irá abandoná-los aconteça o que acontecer.

Peço sempre a Deus que os cuide de nossos filhos onde quer que estejam, que permita que esse reencontro chegue logo, que estejam protegidos de todo o mal e que quando esse momento chegar nós saibamos fazer as melhores escolhas na criação deles, passando pra eles acima de tudo os valores necessários para que superem toda dor e se tornem pessoas de bem, que possamos ser o melhor exemplo para nossas crianças.

Amamos vocês mesmo sem conhecê-los e não vemos a hora de estarmos juntos para sempre!

PorEquipe Adocao Brasil

E assim foi, para a vida inteira!

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Por: Detinha

Fui adotada aos 8 meses e hoje meus pais já são falecidos.

O que eu quero falar é sobre como contar para a criança que ela é adotada.

Minha mãe era analfabeta e foi muito simples a maneira como ela me contou.

Eu na verdade tinha uns 4 anos, mas percebia que era diferente do resto da família.

Um dia minha mãe me chamou cedinho para “conversar”.

O que ela disse eu nunca esqueci. Foi assim:

– O que eu vou te falar hoje, por mim eu não falaria nunca, porque não tem a menor importância, mas todos dizem que eu tenho que falar, e também para que, um dia, se você descobrir, não dizer que eu te enganei. Você não nasceu da minha barriga, mas sim da barriga de outra pessoa, mas você é minha filha.

Me lembro que eu quis chorar e ela disse:

– Por que você vai chorar?

E eu disse:

– Eu queria ser sua filha de verdade

Ela disse:

– Você é minha filha de verdade, e se algum dia, alguém te disser que não é, você manda vir falar comigo! E se esse assunto te deixou triste, nós nunca mais precisamos tocar nele!

E assim foi, para a vida inteira!

PorEquipe Adocao Brasil

Fui adotada e digo isso com orgulho

Por: Karina – Porto Alegre, RS.

Fui adotada pelos meus pais aos seis meses de idade.

Nunca tinham tocado no assunto comigo, por eu ser uma criança e também por nunca ter perguntado sobre, mas chegou o dia que na escolinha, quando eu tinha 4 anos, as “tias” leram um livrinho que falava sobre os bebês saírem da barriga da mãe, nesse momento eu surpreendi a todos dizendo que eu não havia saído de dentro da minha mãe.

As professoras ficaram assustadas, já que sabiam que eu havia sido adotada mas sabiam que eu não sabia disso.

Lembro que os coleguinhas começaram a rir de mim e perguntar de onde eu tinha vindo. Na minha cabeça de criança disse que havia nascido de um ovo de uma pata (havia acabado de ler o patinho feio).

Imediatamente a escola entrou em contato com os meus pais, que me levaram em uma psicóloga infantil com o intuito de me preparar para receber a notícia de que eu havia sido adotada. É muito estranho, mesmo tendo sido adotada bem novinha eu sempre soube, da minha maneira, que o início da minha vida tinha sido assim.

‎No consultório a psicóloga sentava comigo no chão e brincávamos de boneca e casinha, pra mim eu ia lá toda semana brincar com uma moça adulta. Na realidade nessas brincadeiras ela me ensinava que pai e mãe são quem amam, ela me disse que não necessariamente uma mãe que abre mão de um filho faz isso por não gostar da criança, mas sim por amar tanto que abriu mão do próprio filho para ele ter uma vida melhor.

‎Lembro vividamente do dia em que me contaram que eu era adotada, eu estava no meu quarto brincando quando a minha mãe me chamou na sala, quando cheguei lá ela e a minha avó materna (que sempre foi e ainda é muito presente, até demais em alguns momentos, na minha vida) estavam sentadas no sofá.

Minha mãe estava chorando e ficou me olhando, lembro que ela tentava falar mas não conseguia, até que a minha vó já impaciente (italiana brava que só) me disse “tu é adotada”.

A minha resposta foi: “o que é adotada?” e ela disse que eu não havia saído da barriga da minha mãe mas sim de outra mulher. Eu respondi “ah tá” e voltei a brincar.

Conheço alguns amigos que foram adotados e todos consideram isso uma coisa ruim.

Eu penso que a minha adoção foi a melhor coisa que aconteceu comigo, eu renasci.

Como minha mãe biológica usou muitas drogas durante a gravidez eu tive várias sequelas que me seguem até hoje, diversos problemas de saúde, problemas emocionais, dificuldade de aprendizado. Queria dizer que nunca me senti mal sobre ser adotada, mas seria mentira. Sinto muita curiosidade sobre a mulher que, querendo ou não, me deu a vida.

Obviamente sei que a minha mãe é a que me ama e cuida até hoje, mas gostaria de saber sobre essa parte oculta da minha história . Minha família odeia falar sobre isso, especialmente a minha mãe, não culpo ela, na cabeça dela esse assunto é um lembrete que alguém lá fora pode se achar no direito de chamar a menininha dela de filha ou dizer que ela é menos mãe por não ter me gerado.

Isso faz com que ela esconda de mim sobre essa parte da minha vida, respeito ela, se ela quiser me falar um dia eu vou escutar, senão eu fico sem saber.

Não gostaria de conhecer a minha mãe biológica, não vejo motivo e magoaria a minha mãe.

Sou feliz com a família doidinha que tenho. Mesmo com as brigas bobas de aborrecente e discussões eu nunca penso em ter outra família.

Fui adotada e digo isso com orgulho. Se alguém aqui estiver com dúvidas sobre adotar uma criança, tenha em mente que é difícil pra caramba, eu dei muito trabalho com problemas de saúde e emocionais, mas vale a pena, afinal se faz tudo pela família.

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PorEquipe Adocao Brasil

Uma história de adoção que não deu certo

Resolvemos interromper o processo!

Pensei muito em como abordar este tema, é difícil explicar o que sentimos (meu marido e eu) nesse último mês do estágio de convivência.

Tudo o que vocês (que já passaram pela adoção) falaram é verdade e passamos por parte disso.

O início é muito difícil, mas você acha que vai conseguir e que está preparado. Ouvi centenas de histórias aqui e fora daqui, das dificuldades – mas que as coisas se ajeitam com o passar do tempo -, que o amor não vem de imediato – mas vem com o tempo -, que o casamento fica abalado – mas dá certo -, entre outras questões.

Nunca ouvi histórias de alguém que interrompeu o processo, e esta angustia estava nos matando.

Nós não conseguimos chegar ao sim em meio a tantos medos. Teremos algumas mudanças pela frente: nova casa, nova cidade, trabalho.

E com duas crianças, entendemos que não conseguiríamos dar conta.

Aliás, nem duas, nem uma, nem se fosse bebê, ou um pouco maior. A demanda é grande independente da fase.

Interrompemos nossa habilitação e vamos seguir a vida e ver o que ela reserva para nós.

O que posso dizer para os que estão aguardando, é que por mais que nos preparemos, não estaremos preparados.

Então, vamos fazer o máximo que pudermos, não só assistir filmes, séries, ler livros, mas ouvir o coração e refletir com o parceiro, se estamos no perfil certo e se é o momento certo.

Se imagine com uma criança, na idade que for, como será?

Mas imagine não só a parte legal, mas a parte difícil:

* um bebê que exige de você 24 horas
* um maiorzinho que você terá que correr atrás para ele não mexer no que não deve e que não vai entender de imediato o motivo de não pode mexer
* um maior que já entende, mas que não vai te obedecer tão cedo.

Vão ouvindo as histórias de quem já passou, estudando e refletindo.

Falei demais, mas por tudo o que passamos nesse ultimo mês, achei que deveria compartilhar esta experiência.

PorEquipe Adocao Brasil

ele poderia sim, realizar esse sonho junto comigo

Meu maior sonho sempre foi ser mãe, mas quando faltavam 3 meses para meu casamento vem a notícia que meu marido não poderia me dar um filho.

Naquela hora meu mundo parecia ter acabado.

Meu marido ficou muito mal e eu tive que tirar coragem não sei de onde, para dar força a ele.

Ele chegou a falar que eu não precisaria casar com ele porque ele nunca iria poder realizar meu maior sonho que era ser mãe!

Quando o sustou passou, eu disse para ele que ele poderia sim realizar esse sonho junto comigo, foi aí que conversamos e decidimos a partir para adoção. Então em novembro de 2011 começa a realização do sonho!

Entramos com os papéis, fizemos as entrevistas e em março de 2012 estávamos habilitados e prontos para a espera do nosso anjo.

A espera foi grande e no começo chegava a ser uma tortura, sofri muito por causa da ansiedade, tive começo de depressão, tive que fazer muita terapia graças a Deus eu sempre tive o apoio do meu marido que sempre estava ali para segurar minha mão e não me deixar cair.

Foi uma espera de 4 anos e alguns meses.

E quando foi final de julho de 2016 meu telefone em fim tocou, foi uma alegria inexplicável eu não sabia se chorava, se pulava, tivemos que esperar 3 dias para poder conhecer nosso anjo, foram 3 dias que pareciam uma eternidade, em fim chegou e fomos, foi o dia mais especial de nossas vidas.

Um menino lindo e adorável com 5 anos e meio.

Quando foi dia 06/10 ele veio definitivo para junto de nós, se passaram quase 9 meses e a partir daí tem sido a realização de um sonho, somos pais sim do filho mais lindo que Deus poderia nos enviar!

Agradeço todos os dias por ter tido essa grande oportunidade de ser mãe dessa criança maravilhosa!

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